Desde há muito que esta bondosa Senhora, com exemplos dignos de louvor, vem acarinhando, sem ostentação, a pobreza mais necessitada da sua terra com especial amor pelas crianças.

Espirito culto, alma nobre e coração generoso de Mulher que se compraz em fazer bem; eleita milagrosa discipula da graça de Deus que em sua doutrina aprendeu e compreendeu a obra de humanidade a que se devotou.

O «Patronato de Gouveia» não é apenas uma casa de beneficiência e de orientação educativa e religiosa – é um monumento de fino granito feito de recortes da mãe sublime grandiosidade da sua alma, para esse efeito delineado, que deve perdurar para sempre erigido, bem sobranceiro, no reconhecimento e na gratidão de todos nós como Obra social, e principalmente dos Operários de Gouveia cujos benefícios jamais deverão esquecer.

Num mundo de egoísmos e lutas; numa atmosfera de vícios e imoralidades; na descrença e falta de fé em que hoje as sociedades se organizam e á sombra das quais vivem, toldando a pureza do céu e da vida, em que o pressagio da catástrofe moral, do impudor e do materialismo avançam assustadoramente, há ainda espíritos cristãos que são exemplos e exceções que consoladoramente surgem, florescendo por entre esses trôpes egoísmos que ameaçam as consciências em detrimento da regeneração.

Pio XII, em recentes afirmações, salientou a necessidade de medidas apropriadas, pelos povos, para o levantamento da família, tanto por meio de organizações de previdência publica como pela caridade particular. Defendeu a criação não só de uma solidariedade que contenha e domine as forças más, como também a integridade familiar pela ideia da responsabilidade da fundação do lar, preparando-se melhor a mocidade para a vida pelo arreigamento da unidade e fidelidade no casamento, da saúde e felicidade no lar e do espírito cristão.

A instituição, de iniciativa puramente particular, que se fundou em Gouveia, é a modelar consagração dos princípios preconizados por sua Santidade, subordinados ao espírito de elevação moral, á instrução , á  disciplina de costumes e preparação doméstica das «pequeninas» de hoje e mães de amanhã.

Embora num ambito diferente, há já exemplos de ilustres Senhoras de Gouveia, como D. Isabel Belo e D. Maria Antónia Assis, cujas memórias os pobres não esquecerão, a juntar agora, como irmã gémea, a titular deste tão enlevado empreendimento.

Se a admiração, a homenagem e o respeito, da geração não reagirem e se a ingratidão dos beneficiários se diluir até no rumor do esquecimento, esta bondosa Senhora não esmorecerá e terá a olhá-la a radiosa graça de Deus pela continuidade do seu «bem» que será o Patronato.

 

Um Gouveense
in “Notícias de Gouveia”, Ano XXXVI, Domingo 9 de outubro de 1949, Edição Número 1609